quinta-feira, abril 25
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MS tem maior taxa nacional de suicídios entre policiais; presidente da ACS faz alerta

O presidente da ACS (Associação e Centro Social dos Policiais Militares e Bombeiros Militares de Mato Grosso do Sul), 1º SGT PM Fabrício de Carvalho Moura, fez uma análise sobre o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2023, divulgado esta semana, que mostra que o Estado tem a maior taxa nacional de suicídios entre policiais. Ele alerta as autoridades e pede atenção especial dos comandantes sobre os seus subordinados nas corporações.

“O suicídio é um fenômeno complexo, multifacetado e de múltiplas determinações, que afeta o efetivo da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul. À princípio, inicia com uma depressão. Devido ao serviço policial militar diário, ostensivo, preventivo e repreensivo, ser estressante, exige maior observação do Comandante sobre os seus subordinados para detectar algum indício ou sinal de depressão”, analisou Moura, ressaltando que não há uma “receita” para detectar, seguramente, quando uma pessoa está vivenciando uma crise suicida, nem se há algum tipo de tendência.

Os números divulgados pelo Anuário, que é elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostram que Mato Grosso do Sul se manteve empatado com Pernambuco, Sergipe e Rio Grande do Sul. São 3 casos em 2021 e 4 em 2022. A taxa do Estado variou de 0,4 para 0,6 de um ano para o outro. Grandes metrópoles como o Rio de Janeiro e São Paulo tiveram valores muito menores, tendo o estado carioca variações de 0,3 para 0,1, enquanto o paulista manteve a taxa de 0,2 nos dois anos da pesquisa.

Para Moura, o preconceito do próprio militar de reconhecer que necessita de ajuda do psiquiatra e do psicólogo também dificulta o diagnóstico. “O suicídio pode ser prevenido. O pontapé institucional foi dado com o concurso para médicos, com a inovação na especialidade de psiquiatria, o qual faz atendimentos na Policlínica da PMMS. O FAF (Fundo de Assistência Feminina da PMMS) faz atendimentos na área da psicologia. Contudo, a demanda é maior que a oferta dos atendimentos. Urge a necessidade avanço nas prevenções com políticas públicas”, finalizou.

Os dados referentes às mortes de policiais civis e militares em 2022 disponibilizados pelas secretarias estaduais de segurança pública mostram um cenário já observado nos anos anteriores: policiais morrendo mais em confronto ou por lesão não natural na folga, depois por suicídio e, por último, em confronto em serviço. Em 2022 morreram 173 policiais assassinados e 82 por suicídio. Daqueles que foram mortos, 7 em cada 10 morreram na folga. Foram 40 policiais a mais assassinados em comparação com 2021.

Jeozadaque Garcia
Assessoria de Imprensa da ACS

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