sexta-feira, junho 21
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Defasagem e escala extra ‘escravizam’ policiais em MS, diz vice da ACS

Com déficit de mais de 300 servidores, policiais militares de Dourados ainda terão que fazer jornada extra sem remuneração, a partir de hoje. A decisão preocupa a Associação e Centro Social da Polícia Militar e Bombeiro Militar de Mato Grosso do Sul (ACSPMBM-MS), que promete acionar o Ministério Público.

O vice-presidente da entidade, Aparecido Lima, disse que não há condições dos policiais cumprirem a determinação do Estado e teme uma onda de licenças e afastamentos por doenças em decorrência da medida . “As jornadas de trabalho em excesso e falta de estrutura estão escravizando os policiais. Isso tem gerado uma epidemia de casos de depressão.

Só esse ano cinco policiais tiraram a própria vida no Estado. Não é justo sacrificar o descanso dos policiais para satisfazer o ego de alguns que pensam apenas em apresentar boas estatísticas. O bom resultado está acontecendo porque os policiais são dedicados em sua missão, não por decisões equivocadas como essa”, destaca, observando que as escalas extras preveem que o policial atue das 20h30 às 2h do dia seguinte, 5 horas a mais, sendo que esse tempo pode aumentar dependendo da ocorrência.

O vice-presidente diz que a situação é grave e que se nada for feito a Polícia Militar vai deixar de existir por falta de efetivo, em Dourados. “Deveria ter 500 servidores, mas a PM só tem 150. É absurda a defasagem. Não há como fazer policiamento ostensivo”, denuncia.

Segundo Lima, hoje a PM conta com duas equipes de viaturas, sendo que uma delas permanece 24h no cuidado de um paciente mental preso e internado no Hospital Universitário e outra sai do trabalho nas ruas para atuar no presídio, que tem quatro torres mas conta com monitoramento policial em apenas três. “Há dois anos policiais que poderiam estar coibindo o crime nas ruas estão cuidando de presos. As condições de atuação também não são das melhores.

Os agentes que estão no Hospital não tem local próprio para ficarem, nem acomodação. Permanecem em pé e quando precisam ir ao banheiro precisam pedir licença a pacientes. É uma situação desgastante”, explica. Conforme Lima, o Governo do Estado prevê cerca de 300 novos policiais para todo o Estado, uma espera que já dura 2 anos. “Mesmo assim a previsão é de que o curso inicie no final do ano. O tempo de formação é de cerca de 1 ano. Há ainda o agravante que o Estado formará esses profissionais em duas etapas de 150 servidores cada”, avalia.

Menor efetivo

Dados do Conselho Institucional de Segurança Pública de Dourados (Coised) divulgados no ano passado mostram que a cidade de Dourados só perde em defasagem policial para o 6º Batalhão da PM de Corumbá (1 policial para cada 1027 habitantes) e a 2ª Companhia Independente de Polícia Militar de Maracaju (1 policial para cada 1.019 habitantes). Enquanto a 2ª maior cidade de MS, Dourados, tem 1 policial para cada 960 habitantes, cidades do interior conseguem ter mais policiais, se levado em conta o índice habitacional. Aquidauana por exemplo tem 1 policial para cada 447 habitantes; Fátima do Sul tem 1 policial para cada 468 habitantes. Naviraí tem 1 policial para cada 604 habitantes; Nova Andradina tem 1 policial para cada 634 habitantes; Três Lagoas tem 1 policial para cada 667 habitantes, Ponta Porã tem 1 policial para cada 692 habitantes; Campo Grande tem 1 policial para cada 702 habitantes e Amambai tem 1 policial para cada 812 habitantes.

Outro lado

Em relação a escala extra de trabalho, a Secretaria de Justiça e Segurança informou: “Essa é a primeira escala extra convocada pela Polícia Militar de Dourados, com objetivo de realizar diversas operações no município pensando em aumentar a sensação de segurança da população. Além disso, o dia trabalhado será compensado com folga”.

Dourados Agora

2 Comments

  • ADEMIR RODRIGUES CALDEIRA

    ESSE GOVERNO NÃO ESTA NEM UM POUCO PREOCULPADO COM A SEGURANÇA PUBLICA DO ESTADO DO MATO GROSSO DO SUL, HAJA VISTO O MESMO JA EM SEU SEGUNDO MANDATO DE GOVERNO NÃO REALIZOU NENHUM CONCURSO PARA INGRESSO DE SOLDADOS PM NO ESTADO,,,,CADA ANO QUE PASSA DIMINUI O EFETIVO E SOBRECARREGA QUEM ESTA NA ATIVA TRABALHANDO MAIS DO QUE O DOBRO…..HOJE SE O GOVERNADOR FOSSE SERIO E RESPONSAVEL PELA SEGURANÇA PUBLICA DO ESTADO DO MATO GROSSO DO SUL DEVERIA INICIALMENTE PRA PODER MELHORAR A SEGURANÇA DO POVO SULMATOGROSSENSE ABRIR UM CONCURSO DE NO MINIMO DE 2500 POLICIAIS MILITARES A SEREM FORMADOS NOS MAIS DE 14 BATALHOES POLICIAIS MILITARES DO ESTADO…EU QUANDO INGRESSEI NA PM EM 1982 HAVIA MAIS OU MENOS 6.000 PMS, E HOJE 37 ANOS DEPOIS NÃO TEM 4.900 PMS NO ESTADO…..SE O GOVERNO FOR ASSIM ATÉ O FINAL DO SEU MANDATO, NÃO VAI TER NEM 3.000 PMS…..E NENHUM SOLDADO…..SÓ CB, SGT E OFICIAIS…

  • manoelamauri

    Esses fatos de escala extra acontece desde de 1989 quando entrei na PM ,trabalhei 10 anos escala 24×24, depois ainda 20 horas por 04 de folga isso durante 06 meses sem remuneração extra na região de Cassilândia e contado três governadores fiquei 01 ano e três meses sem receber pagamento. Força o Zé governinho solicitar a força nacional. Dei a minha saúde e minha vida pra sociedade e o que ganhei 04 cirurgias na coluna lombar sou inválido vivo 24 horas na cama com dor só levanto pra ir ao banheiro e o estado de MS não me dá nem os remédios narcóticos que bebo que é em torno de RS 2400,00 mensal e recebo 2000,00 mensal devido a empréstimos para sobreviver sendo que minha família é composta por 04 pessoas. SOCORRO.

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